Criado por Daniela Ezequiel em terça, 21 julho 2026
Último Bugatti W16 Mistral encerra uma era de duas décadas
A Bugatti concluiu a produção do último W16 Mistral, colocando um ponto final numa das eras mais marcantes da história recente do automóvel. Com a saída deste exemplar do Atelier de Molsheim, termina oficialmente a utilização do lendário motor W16 nos modelos de produção da marca francesa.
Foram duas décadas de potência, velocidade e números difíceis de imaginar. Apresentado no Bugatti Veyron em 2005, o motor W16 de 8,0 litros e quatro turbocompressores redefiniu aquilo que se esperava de um automóvel de estrada. Mais tarde, continuou a sua evolução no Chiron e nas várias versões especiais desenvolvidas a partir deste hiperdesportivo.
O Bugatti W16 Mistral ficou responsável pela despedida. Apresentado em agosto de 2022 e limitado a apenas 99 unidades, tornou-se o último modelo de catálogo homologado para circular na estrada equipado com esta mecânica.
Um último Mistral verdadeiramente único
O exemplar que encerra a produção foi desenvolvido através do programa de personalização Bugatti Sur Mesure. A carroçaria combina dois acabamentos distintos, Pérola e Brilhante, enquanto o habitáculo aberto de dois lugares apresenta pele em tons de Magnólia e Cinza Carbono Mate.
Entre os detalhes exclusivos encontra-se uma cabeça de falcão em alumínio, criada para homenagear as origens do proprietário no Médio Oriente. O mesmo motivo surge bordado nos painéis das portas, reforçando o carácter personalizado deste último automóvel.
O apoio de braço inclui ainda uma peça em cristal congelado desenvolvida em parceria com a Lalique, conhecida fabricante francesa de cristal. A assinatura de Ettore Bugatti aparece na tampa do motor, nos encostos de cabeça e nas soleiras das portas em alumínio maquinado.
Uma placa comemorativa completa a configuração, identificando este W16 Mistral como o último representante da sua espécie.
Debaixo da carroçaria encontra-se a versão mais potente do motor W16. A unidade de 8,0 litros desenvolve 1600 cv e 1600 Nm de binário, valores idênticos aos do Bugatti Bolide, criado exclusivamente para utilização em circuito.
Toda esta potência permite ao Mistral acelerar dos 0 aos 100 km/h em cerca de 2,5 segundos e ultrapassar os 300 km/h em aproximadamente 12 segundos.
A velocidade máxima está limitada a 380 km/h no modo normal. Com a configuração específica de alta velocidade, pode atingir os 420 km/h. No entanto, o modelo já demonstrou ser capaz de ir ainda mais longe.
Em 2024, o piloto Andy Wallace alcançou 453,9 km/h numa pista de testes em Papenburg, na Alemanha. O resultado permitiu ao Bugatti W16 Mistral estabelecer um novo recorde mundial de velocidade para um automóvel descapotável de produção.
Mais do que os números, o W16 destacou-se sempre pela forma como entregava a potência. Os quatro turbocompressores entram em funcionamento de forma progressiva, criando uma aceleração intensa e praticamente contínua.
Os dois primeiros turbocompressores começam a atuar a rotações mais baixas. A partir de cerca das 3000 rotações por minuto, entram em funcionamento os restantes, proporcionando uma resposta ainda mais forte.
No Mistral, esta experiência é acompanhada pelo som do motor e pela proximidade das entradas de ar, colocadas imediatamente atrás dos ocupantes. O W16 pode aspirar até cerca de 70 mil litros de ar por minuto, contribuindo para uma experiência sonora difícil de reproduzir noutro automóvel.
Desempenho extremo sem abdicar do conforto
Apesar das prestações, o Bugatti W16 Mistral não foi desenvolvido apenas para alcançar velocidades impressionantes. O modelo procura combinar a capacidade de um hiperdesportivo com o conforto e o requinte esperados num Bugatti.
Os bancos oferecem um apoio envolvente, mas mantêm um nível elevado de conforto. A suspensão também consegue lidar com pisos menos perfeitos, mesmo quando é selecionado o modo de condução mais desportivo.
No modo Top Speed, a altura ao solo é reduzida para 80 milímetros na dianteira e 89 milímetros na traseira. Ainda assim, o Mistral não se transforma num automóvel excessivamente rígido ou difícil de utilizar.
O interior também evita a utilização excessiva de grandes ecrãs. A consola central apresenta uma estrutura metálica com quatro comandos circulares, privilegiando materiais, detalhes mecânicos e uma abordagem mais intemporal.
Naturalmente, toda esta exclusividade tem um preço. O Bugatti W16 Mistral ultrapassou os cinco milhões de euros antes da inclusão de opções e personalizações. Apesar disso, todas as 99 unidades foram vendidas antes de a produção estar concluída.
O fim da produção do Mistral não significa, contudo, que o motor W16 desapareça imediatamente de Molsheim. A Bugatti poderá continuar a utilizar algumas plataformas e motores existentes em projetos especiais desenvolvidos através do Programme Solitaire.
Este programa já deu origem a modelos exclusivos como o Brouillard e o Veyron FKP Hommage, ambos baseados na arquitetura técnica do Chiron. Ainda assim, o W16 Mistral representa o verdadeiro encerramento desta mecânica nos modelos regulares de produção.
A Bugatti prepara agora uma nova fase com o Tourbillon. O sucessor do Chiron troca o motor W16 com quatro turbocompressores por um novo V16 atmosférico, associado a um sistema híbrido.
Será uma mudança profunda, mas alinhada com a tradição da marca de procurar soluções técnicas diferentes de tudo o que existe no mercado.
O último Bugatti W16 Mistral encerra, assim, uma era de duas décadas marcada por recordes, engenharia extrema e alguns dos automóveis mais rápidos alguma vez produzidos. O futuro da Bugatti será diferente, mas o impacto do W16 na história do automóvel dificilmente será esquecido.
Fontes: Turbo, Razão Automóvel


