Criado por Daniela Ezequiel em segunda, 11 maio 2026
Opel prepara novo SUV elétrico com tecnologia chinesa para 2028
A Opel está a preparar um novo SUV elétrico para o segmento C, com chegada prevista ao mercado em 2028. O modelo deverá reforçar a aposta da marca alemã na mobilidade elétrica e nascerá de uma colaboração estratégica com a Leapmotor, fabricante chinesa na qual a Stellantis detém uma participação.
Este novo SUV deverá posicionar-se na gama Opel ao lado de modelos como o Grandland, o Frontera e o Mokka, mas com uma diferença importante: será desenvolvido com recurso a tecnologia elétrica de origem chinesa, nomeadamente ao nível da plataforma e das baterias.
Um desenvolvimento mais rápido do que o habitual
Um dos pontos mais relevantes deste projeto está no tempo de desenvolvimento. Enquanto o ciclo tradicional de criação de um novo automóvel pode demorar entre quatro a cinco anos, a Opel pretende ter este novo SUV pronto em menos de 24 meses.
Esta redução significativa nos prazos deverá ser possível graças à utilização de componentes e soluções técnicas já desenvolvidas pela Leapmotor. Na prática, a marca alemã poderá acelerar o processo de criação do novo modelo, aproveitando uma base elétrica concebida de raiz para veículos a bateria.
Segundo as informações divulgadas, o desenvolvimento será feito por equipas na Alemanha e na China. Ainda assim, a Opel pretende manter em Rüsselsheim a responsabilidade pela conceção do veículo, incluindo elementos como o design, a ergonomia, a afinação do chassis e a identidade geral do modelo.
Tecnologia chinesa, identidade Opel
A utilização de uma base técnica da Leapmotor marca uma mudança importante na estratégia da Opel e da própria Stellantis. Ao contrário de algumas plataformas multienergia, pensadas para receber motorizações a combustão e elétricas, esta solução deverá permitir uma abordagem mais focada na eficiência dos veículos 100% elétricos.
Em teoria, uma plataforma desenvolvida especificamente para automóveis elétricos pode trazer vantagens em áreas como o aproveitamento do espaço interior, o peso, a autonomia e a eficiência energética. Este será um ponto importante para um SUV do segmento C, uma categoria muito competitiva no mercado europeu.
Apesar da origem chinesa de parte da tecnologia, a Opel deverá integrar no modelo alguns dos seus elementos diferenciadores, como os sistemas de iluminação Intelli-Lux LED e os bancos certificados pela AGR, já associados ao conforto e à qualidade percebida da marca.
Produção europeia em estudo
A produção do novo SUV elétrico poderá acontecer na fábrica da Stellantis em Saragoça, Espanha. Esta unidade tem uma ligação histórica à Opel, já que produz o Corsa desde 1982, e poderá desempenhar um papel importante na estratégia industrial do grupo para os próximos anos.
A escolha de uma fábrica europeia permitiria também aproximar a produção do mercado onde o modelo deverá ter maior expressão, reduzindo distâncias logísticas e aproveitando a capacidade industrial já instalada do grupo Stellantis.
Neste momento, o projeto encontra-se ainda em fase de estudos de viabilidade e pré-desenvolvimento. A sua concretização final dependerá de acordos definitivos entre as partes envolvidas e das aprovações regulamentares necessárias.
Um projeto com impacto dentro da Opel
A aposta numa base tecnológica chinesa também tem gerado debate, sobretudo pelo impacto que poderá ter no centro técnico da Opel em Rüsselsheim. Segundo uma das fontes, a decisão de recorrer a uma plataforma da Leapmotor terá contribuído para a saída de 650 engenheiros ligados ao desenvolvimento tradicional de veículos da marca.
Este ponto mostra como a transição elétrica não está apenas a mudar os automóveis, mas também a forma como são pensados, desenvolvidos e produzidos. Para os fabricantes europeus, o desafio passa por acelerar a inovação, controlar custos e responder à forte concorrência internacional, sem perder identidade de marca.
O novo SUV elétrico da Opel previsto para 2028 será, por isso, mais do que mais um modelo na gama. Poderá representar uma nova forma de desenvolver automóveis na Europa, combinando engenharia alemã, produção europeia e tecnologia elétrica chinesa.
Fontes: Guia do Automóvel, Observador.


