Volkswagen cria o elétrico mais eficiente de sempre no mundo
Criado por Daniela Ezequiel em quarta, 16 setembro 2026
A Volkswagen apresentou o Mission Efficiency, um protótipo elétrico criado para demonstrar até onde é possível levar a eficiência quando aerodinâmica, peso, pneus e sistema de propulsão são desenvolvidos com o mesmo objetivo.
E os números impressionam. O Volkswagen Mission Efficiency apresenta um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,158 e conseguiu percorrer 1.278,36 quilómetros numa viagem real entre Wolfsburg, na Alemanha, e Viena, na Áustria, necessitando de apenas uma paragem para carregamento. No destino, ainda apresentava uma autonomia estimada de 164 quilómetros.
Mais do que antecipar diretamente um novo modelo de produção, este protótipo funciona como um verdadeiro laboratório sobre rodas, mostrando aquilo que a Volkswagen consegue alcançar recorrendo, em grande parte, a tecnologia que já está preparada para chegar aos seus próximos automóveis elétricos.
Três recordes para o Volkswagen Mission Efficiency
Um dos grandes destaques do Mission Efficiency está na aerodinâmica. O protótipo apresenta um coeficiente de resistência aerodinâmica de apenas 0,158, um valor extremamente baixo para um automóvel homologado para circular em estrada.
A carroçaria foi desenhada com uma configuração inspirada numa gota de água, enquanto a área frontal é de apenas 2,08 metros quadrados. Para reduzir ainda mais a resistência ao ar, a Volkswagen recorreu a soluções como persianas ativas para controlar o arrefecimento, fundo praticamente todo carenado, puxadores integrados na carroçaria, vidros sem moldura e rodas traseiras parcialmente cobertas.
O trabalho realizado permite ao Mission Efficiency consumir mais de 30 por cento menos energia do que o Volkswagen ID. Polo a velocidades superiores a 80 km/h. Segundo a marca, a 140 km/h o protótipo necessita aproximadamente da mesma energia que um ID. Polo convencional a circular a 100 km/h.
Mas a eficiência não ficou apenas pelo túnel de vento.
Numa viagem realizada em condições ideais, a uma velocidade constante de 68 km/h, sem subidas e com sistemas auxiliares como o ar condicionado desligados, o consumo foi de apenas 6,48 kWh/100 km.
Já num teste oficialmente documentado em condições reais, o Mission Efficiency percorreu 1.278,36 quilómetros entre Wolfsburg e Viena, passando pela Polónia e pela Chéquia. O consumo médio registado foi de 7,51 kWh/100 km, incluindo as perdas associadas ao carregamento, ou 6,89 kWh/100 km sem essas perdas.
A velocidade média durante a viagem foi de 67,72 km/h e a máxima chegou aos 138 km/h.
Tecnologia do futuro ID. Polo
Apesar do aspeto futurista, o Mission Efficiency não depende exclusivamente de tecnologia experimental.
O motor elétrico instalado no eixo dianteiro deriva daquele que será utilizado no Volkswagen ID. Polo. Desenvolve 99 kW, equivalentes a 135 cv, e 264 Nm de binário, estando associado à plataforma MEB+ com tração dianteira.
A bateria apresenta 54,9 kWh de capacidade útil e pode ser carregada até 11 kW em corrente alternada e 105 kW em corrente contínua.
Esta utilização de componentes próximos da produção é precisamente uma das ideias centrais do projeto. A Volkswagen pretende demonstrar que alcançar elevados níveis de eficiência não tem necessariamente de depender de tecnologias extremamente caras ou destinadas apenas a automóveis produzidos em pequenas quantidades.
A mesma arquitetura de propulsão deverá ser utilizada em modelos como o ID. Polo e o ID. Cross.
A marca trabalhou também com a Continental no desenvolvimento de pneus específicos baseados nos EcoContact 7. Estes apresentam uma resistência ao rolamento de 4,9 kg por tonelada, aproximadamente 25 por cento abaixo do limite necessário para alcançar a classe A na etiquetagem europeia de pneus.
Até o sistema de travagem foi pensado para reduzir desperdícios de energia. O eixo traseiro estreia uma solução eletromecânica que permite diminuir perdas por atrito e otimizar a distribuição da força de travagem e a recuperação de energia.
Energia solar e um interior pensado para poupar peso
Outra das soluções mais curiosas encontra-se no teto e na tampa da bagageira.
Os vidros integram um sistema fotovoltaico com 370 W de potência, capaz de fornecer energia aos sistemas elétricos de bordo. Dependendo das condições meteorológicas, da localização e da altura do ano, a Volkswagen estima que esta tecnologia possa contribuir com até 30 quilómetros adicionais de autonomia real por dia.
O princípio de eficiência continua no habitáculo.
Em vez de instalar equipamentos pesados que nem sempre são utilizados, a Volkswagen optou por uma abordagem minimalista. Algumas funções de infoentretenimento, navegação e multimédia podem ser asseguradas pelo smartphone ou tablet dos ocupantes, enquanto um sistema de som convencional dá lugar a uma coluna Bluetooth portátil.
A construção também combina uma estrutura autoportante em alumínio com componentes em polímero reforçado com fibra de carbono e compósito de aramida, procurando reduzir o peso sem comprometer a rigidez estrutural.
Apesar de toda esta preocupação com a eficiência, o Mission Efficiency mantém alguma preocupação com a utilização quotidiana. Mede 4,775 metros de comprimento, tem configuração 2+2 e disponibiliza uma bagageira com 481 litros de capacidade. Os lugares traseiros, contudo, foram pensados sobretudo para passageiros até cerca de 1,60 metros de altura.
O Mission Efficiency não significa que esteja prestes a chegar aos concessionários um Volkswagen com estas características. O projeto deve ser encarado sobretudo como uma demonstração tecnológica e uma forma de testar até onde podem chegar as soluções de eficiência da marca.
Ainda assim, há um dado especialmente relevante: várias das tecnologias utilizadas já estão relacionadas com componentes destinados a modelos de grande produção.
Num momento em que a autonomia continua a ser um dos principais temas associados aos automóveis elétricos, a Volkswagen mostra outra forma de abordar o problema. Em vez de aumentar constantemente a capacidade e o peso das baterias, a solução também pode passar por fazer cada kWh render muito mais.
Fontes: Turbo, Razão Automóvel, Notícias ao Minuto


