Criado por Daniela Ezequiel em terça, 25 agosto 2026
McLaren McL 6GT revive o M6GT e regressa à caixa manual pura
A McLaren decidiu olhar para o passado para imaginar um dos seus próximos superdesportivos. O resultado é o McLaren McL 6GT, um modelo que recupera o espírito do histórico M6GT de Bruce McLaren e traz de volta uma característica que há mais de três décadas não fazia parte dos automóveis de estrada da marca: a caixa manual.
Apresentado durante a Monterey Car Week, na Califórnia, o McL 6GT antecipa um novo modelo de produção previsto para 2028. A proposta combina uma construção integral em fibra de carbono, motor V8, tração traseira e uma abordagem claramente focada na ligação entre o condutor e o automóvel.
Mais do que um simples exercício de design, este concept deverá servir de base a um superdesportivo altamente exclusivo, produzido em número limitado e posicionado acima da atual gama da McLaren.
Um sonho que começou com Bruce McLaren
Para perceber o McL 6GT é preciso recuar até ao final da década de 1960.
Depois da experiência acumulada com o M6A nas competições Can-Am, Bruce McLaren quis aplicar alguns desses princípios a um automóvel de estrada. O objetivo era criar um supercarro extremamente leve, baixo e rápido, sem deixar de ser suficientemente utilizável no dia a dia.
Bruce chegou mesmo a utilizar pessoalmente um M6GT nas deslocações para a fábrica e para as corridas. O projeto tinha também uma vertente competitiva, com planos para desenvolver uma versão destinada à categoria Group 4 e às 24 Horas de Le Mans. Na época, seriam necessários 50 exemplares para obter a homologação.
O desenvolvimento, porém, acabou por ser interrompido após a morte de Bruce McLaren, em junho de 1970, durante testes no circuito de Goodwood. O projeto M6GT não teve oportunidade de evoluir para a produção que estava inicialmente prevista.
Foram construídos apenas alguns exemplares. A McLaren produziu um para Bruce e a Trojan construiu mais dois chassis. O M6GT utilizava um motor Chevrolet V8 de 5,7 litros, preparado pela Bartz, com 375 cv e associado a uma caixa manual de cinco velocidades.
Embora o McLaren F1 só tenha chegado em 1992, a própria marca considera o M6GT o seu primeiro automóvel de estrada. Os dois modelos partilham uma filosofia semelhante, assente no baixo peso, no envolvimento do condutor e na transferência de soluções provenientes da competição para utilização em estrada.
Quase seis décadas depois, o McL 6GT recupera precisamente essa ideia.
Caixa manual volta a ser protagonista
Uma das grandes novidades do McLaren McL 6GT está mesmo no centro do habitáculo.
O modelo recupera uma caixa manual de seis velocidades e torna-se no primeiro McLaren de estrada com três pedais e uma alavanca tradicional desde o lendário F1, lançado em 1992.
É uma escolha particularmente invulgar num segmento onde as transmissões automáticas de dupla embraiagem e as motorizações eletrificadas se tornaram dominantes.
A McLaren procura seguir uma direção diferente. O objetivo passa por recuperar uma experiência de condução mais mecânica e envolvente, com direção assistida hidráulica, comandos físicos e uma interação mais direta entre o condutor e o automóvel.
Até a alavanca da caixa recebeu atenção especial. O seu desenho procura proporcionar maior sensibilidade durante as mudanças e inclui uma representação tridimensional do Speedy Kiwi, um dos símbolos históricos associados à McLaren e às origens neozelandesas do fundador da marca.
A filosofia mecânica continua no motor. O McL 6GT utiliza um V8 associado exclusivamente às rodas traseiras, enquanto a estrutura monocoque e a carroçaria recorrem extensivamente à fibra de carbono para aumentar a rigidez e manter o peso reduzido.
Uma das fontes refere ainda que se trata de um V8 biturbo exclusivamente a combustão, sem um sistema de eletrificação pesada, reforçando a aposta na leveza e numa resposta mais direta.
Visualmente, também há várias referências ao passado. O McL 6GT recupera proporções inspiradas nos protótipos de competição dos anos 60, mas adapta-as às exigências aerodinâmicas atuais.
O tejadilho prolonga-se sobre a cobertura do motor para criar uma silhueta contínua, enquanto o chamado Racing Loop recupera elementos visuais do M6GT original. A assinatura de Bruce McLaren também surge no compartimento do motor, acompanhada por outras referências históricas ao projeto de 1969.
No interior, fibra de carbono, alumínio maquinado e comandos físicos ajudam a manter essa combinação entre passado e presente. A tecnologia continua presente, mas sem eliminar o lado tátil e mecânico que a McLaren pretende recuperar neste novo projeto.
O McLaren McL 6GT acaba assim por funcionar como uma ponte entre duas épocas. Por um lado, recupera um dos projetos mais pessoais de Bruce McLaren. Por outro, mostra como a marca pretende reinterpretar essa filosofia quase 60 anos depois, utilizando materiais e engenharia atuais.
A versão apresentada em Monterey é ainda um concept próximo da produção, mas a McLaren já confirmou que servirá de base a um novo modelo altamente exclusivo, com chegada prevista para 2028 e destinado a um número bastante reduzido de clientes.
Num momento em que desempenho e tecnologia são cada vez mais associados à eletrificação e à automatização, a McLaren prepara-se para seguir também outro caminho: um V8, tração traseira, baixo peso e uma caixa manual.
Quase seis décadas depois do M6GT original, o sonho de Bruce McLaren volta a ganhar forma.
Fontes: AutoSport, Auto DRIVE, Motor24


