China reduz mais de metade dos híbridos exportados para a UE
Criado por Daniela Ezequiel em quarta, 14 outubro 2026
A China aceitou moderar as exportações de automóveis híbridos e híbridos plug-in para a União Europeia, num entendimento alcançado com Bruxelas que poderá levar a uma redução superior a 50% destes veículos enviados para o mercado europeu.
O acordo surge num momento de crescente tensão comercial entre a União Europeia e a China, sobretudo depois da aplicação de direitos aduaneiros adicionais aos automóveis 100% elétricos produzidos em território chinês.
Depois destas medidas, os construtores chineses passaram a reforçar significativamente a presença dos híbridos e híbridos plug-in no mercado europeu, precisamente por estes veículos não estarem abrangidos pelas mesmas tarifas aplicadas aos elétricos.
A evolução das importações acabou por aumentar a preocupação entre vários fabricantes europeus e levou Bruxelas a procurar uma solução negociada com Pequim.
China e União Europeia chegam a entendimento sobre híbridos
As negociações foram conduzidas pelo comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, durante uma deslocação a Pequim.
No final das conversações, as duas partes chegaram a um entendimento para moderar as exportações chinesas de automóveis híbridos e híbridos plug-in destinados à União Europeia.
Segundo as informações divulgadas, o objetivo poderá passar por reduzir em mais de metade o atual volume destas exportações.
A posição representa uma mudança face ao início das negociações. Numa fase anterior, a China tinha rejeitado um pedido europeu para limitar voluntariamente as exportações de automóveis híbridos, levando Bruxelas a admitir a possibilidade de aplicar quotas temporárias ou novas medidas comerciais.
O entendimento agora alcançado poderá evitar, pelo menos nesta fase, um novo agravamento da disputa comercial entre as duas economias.
Tarifas sobre carros elétricos ajudaram a mudar o mercado
A origem deste conflito está relacionada com os automóveis elétricos produzidos na China.
Depois de uma investigação aos apoios concedidos pelo Estado chinês aos fabricantes de veículos elétricos, a União Europeia decidiu aplicar direitos compensatórios adicionais às importações provenientes daquele país.
Essas taxas somam-se ao imposto aduaneiro habitual de 10% aplicado aos automóveis importados de fora da União Europeia e variam consoante o fabricante e o nível de apoio público identificado.
Com os elétricos chineses sujeitos a custos adicionais, vários fabricantes reforçaram a aposta nos modelos híbridos e híbridos plug-in, que não estavam abrangidos pelas mesmas medidas.
O crescimento das vendas destes automóveis acabou por aumentar a pressão sobre os fabricantes europeus e levou vários países, com destaque para Alemanha e França, a pedir uma resposta mais firme por parte da Comissão Europeia.
O objetivo passa por proteger a indústria automóvel europeia e, ao mesmo tempo, reduzir o elevado desequilíbrio comercial entre a União Europeia e a China.
Acordo também envolve terras raras e produtos europeus
As conversações entre Bruxelas e Pequim não ficaram limitadas ao setor automóvel.
A China aceitou também facilitar o processo de licenciamento das exportações de terras raras e ímanes permanentes para a Europa. Estes materiais são essenciais para vários setores industriais, incluindo a produção de motores elétricos, tecnologias verdes, equipamentos eletrónicos e sistemas utilizados pela indústria automóvel.
Outro dos pontos discutidos foi a melhoria do acesso de produtos europeus ao mercado chinês.
Entre os produtos abrangidos estão componentes para automóveis, azeite, alimentos e calçado, representando atualmente quase quatro mil milhões de euros em exportações europeias para a China.
Segundo as estimativas apresentadas durante as negociações, estas medidas poderão representar pelo menos 225 milhões de euros em poupanças relacionadas com direitos aduaneiros.
Apesar do avanço conseguido, o acordo é visto apenas como uma primeira fase de um processo mais amplo.
O défice comercial entre a União Europeia e a China continua a ser uma das principais preocupações de Bruxelas e as duas partes deverão manter as negociações nos próximos meses.
Para o setor automóvel europeu, a redução das exportações chinesas de híbridos e híbridos plug-in poderá ajudar a travar o rápido crescimento destes modelos no mercado comunitário.
Ao mesmo tempo, o entendimento demonstra que a relação comercial entre Europa e China continuará a ter um impacto direto na indústria automóvel, numa altura em que fabricantes dos dois lados procuram ganhar espaço num mercado cada vez mais competitivo e marcado pela transição para a mobilidade eletrificada.
Fontes: Observador, SIC Notícias, Euronews, RTP


