Criado por Lucas Luís em segunda, 23 fevereiro 2026
Tudo sobre a aventura do Lés-a-Lés 2026
O Hotel Malibu, na Figueira da Foz, voltou a encher para aquele que é, ano após ano, um dos momentos mais aguardados do calendário motociclístico nacional, a apresentação oficial do Portugal de Lés-a-Lés. Logo na abertura da apresentação da 28.º edição, que decorrerá entre 10 e 13 de junho, ficou claro que 2026 não seria um ano qualquer. “Hoje temos a particularidade de apresentar duas edições do Lés-a-Lés”, anunciou o apresentador da sessão, sublinhando o regresso do Lés-a-Lés Clássic a par da edição de estrada. Na plateia, composta por motociclistas vindos de todo o país, sentia-se a expectativa habitual. Armando Marques, Presidente da Federação de Motociclismo de Portugal, resumiu o fenómeno em poucas palavras: “Após vinte e oito anos de edições do Lés-a-Lés, esta sala continua cheia”.

E continua cheia, acrescentaria depois, porque “o Lés-a-Lés tem sido um enorme sucesso”, um sucesso sustentado na descoberta do território, na camaradagem e numa organização que, apesar das dificuldades, não abdica de inovar.
A sessão contou ainda com a intervenção de Pedro Santana Lopes, Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, que deu as boas-vindas a todos, reforçando a ligação da cidade ao evento, deixando no ar o desejo de continuidade e aproveitando o momento para contar uma das suas memórias de juventude e o desafio público para conseguir encontrar uma mítica Hércules.
28.º Portugal de Lés-a-Lés
“Este Portugal de Lés-a-Lés é daqueles complicados de organizar, porque nós de 4 em 4 anos temos as dificuldades de ter um evento a seguir às eleições autárquicas, principalmente quando nas Câmaras Municipais mudam os seus responsáveis.” – disse Ernesto Brochado, diretor do evento, ainda que mostrando o seu orgulho pelo que foi alcançado.
Depois de meses de reconhecimentos feitos sob condições meteorológicas adversas, a organização conseguiu, nas suas palavras, “ter já uma ideia muito geral do percurso”, admitindo que “este percurso pode ainda sofrer pequenos pormenores”.
O essencial, porém, estava definido, e prometia marcar esta edição.
A partida mantém a tradição de começar onde terminou o ano anterior, neste caso, em Faro.

Passeio de Abertura | Faro | 10 junho
O passeio de abertura parte do Jardim Manuel Bivar, atravessa a vila a dentro e termina na sede do Motoclube de Faro… ou então não, porque é precisamente aqui (no momento da apresentação) que surge a grande surpresa de 2026. Pela primeira vez, o Lés-a-Lés inclui uma travessia de barco até à Ilha da Culatra. Ernesto Brochado explicou a dimensão do desafio logístico com entusiasmo: “Vamos ter um barco fretado só para nós, com 320 lugares”, garantindo um “passeio de abertura completamente diferente daquilo que já fizemos”. Cinco viagens de ida e volta permitirão que cada participante permaneça cerca de quatro horas na ilha, mas a organização deixou um aviso bem-humorado que revela a seriedade da operação: “Se não respeitarem os horários, alguns de vós ficam a morar na Ilha da Culatra”.
Mais do que uma curiosidade, esta travessia simboliza a capacidade do Lés-a-Lés para se reinventar, mesmo ao fim de quase três décadas.

1.ª Etapa | Faro – Alcochete | 11 junho | 425 km

A primeira etapa, entre Faro e Alcochete, terá 425 quilómetros e cerca de oito horas de condução. “Esta etapa vai ser rija”, avisou Ernesto, antecipando um dia que combina Serra do Algarve, Malhão e Monchique, descida à Costa Vicentina, passagem por Odeceixe e Vila Nova de Milfontes, visita às ruínas romanas de Miróbriga e entrada pelo interior alentejano até à Alcochete, onde decorrerá a festa de final de etapa. Será uma jornada de contrastes, do mar às serras, das estradas costeiras às planícies, num traçado exigente que confirma a identidade mototurística do evento.
2.ª Etapa | Alcochete – São Pedro do Sul | 12 junho | 430 km

A segunda etapa, entre Alcochete e São Pedro do Sul, é a mais longa em quilometragem e atravessa grande parte do território nacional. Santo Estevão, Coruche, Fazendas de Almeirim, Castelo de Almourol (agora visto de outra perspetiva), Alvaiázere, Ansião e Serra do Caramulo são alguns dos pontos-chave. Tomar, que “nunca viu passar um Lés-a-Lés”, estreia-se finalmente na rota, num momento que o próprio diretor classificou como quase impensável. E é precisamente aqui que Ernesto relembra a essência do evento: “O Lés-a-Lés não é só gastar gasolina alegremente. Temos que chegar a casa a conhecer coisas novas”. A chegada a São Pedro do Sul, cidade termal habituada a receber o evento, reforça a ligação às autarquias e à hospitalidade local.
3.ª Etapa | São Pedro do Sul – Vizela | 13 junho | 300 km

A terceira etapa liga São Pedro do Sul a Vizela. Em linha reta seriam pouco mais de 70 quilómetros, mas a organização decidiu “inventar” uma volta ampla pelo interior norte, passando pela Serra de Montemuro, Barragem da Valeira, Alijó, Favaios, Centro Interpretativo Mineiro de Jales e Cabeceiras de Basto. Vizela surge como final inédito, assumindo também o compromisso de acolher a partida de 2027. Arnaldo Sousa, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Vizela, deixou clara a importância do momento: “Temos plena consciência do impacto que este evento tem nos nossos territórios”, sublinhando que “Vizela é um concelho pequeno, mas grande em História e grande em gente” e lançando um convite que ultrapassa a dimensão desportiva: “Mais do que uma etapa, que seja uma visita a Vizela”.
Lés-a-Lés Classic 2026
Em paralelo, o Lés-a-Lés Classic regressa após o sucesso anterior. Com partida em Lamego e final em São Pedro do Sul, inclui passagens pela Serra da Freita, visita ao Museu do Caramulo e ao Museu das Duas Rodas. Trata-se de um formato que privilegia a história do motociclismo e o contacto com o património, numa lógica menos apressada e mais contemplativa, mas igualmente fiel ao espírito de partilha que caracteriza o evento.
Lés-a-Lés na Benecar 2025 ‣ Benecar no Lés-a-Lés 2026

Em 2025, a Benecar – Cidade do Automóvel entrou para a história do evento ao transformar-se num verdadeiro Oásis do 27.º Portugal de Lés-a-Lés. Pela primeira vez, um stand automóvel assumiu-se como ponto oficial de paragem, recebendo milhares de motociclistas entre mais de 1500 viaturas expostas, experiências temáticas e um ambiente que misturou porco no espeto, animação musical e convívio espontâneo. Foi um momento de comunhão entre duas paixões, as quatro e as duas rodas.
Em 2026, o Lés-a-Lés deixa de passar fisicamente pela Cidade do Automóvel. Mas a ligação não só se mantém como se aprofunda. A Benecar passa do papel de anfitriã local ao de participante ativa e itinerante. Em vez de esperar pela caravana, integra-a. Da partida em Faro à chegada a Vizela, além das dezenas de motociclistas que criarão uma "Mancha Benecar", uma equipa dedicada acompanhará todas as etapas, criando uma presença constante ao longo do percurso. No terreno, haverá acompanhamento direto com recolha de imagens, entrevistas, bastidores e histórias de estrada. Em simultâneo, uma equipa em backoffice garantirá edição e publicação diária de conteúdos, permitindo que quem está em casa acompanhe, quase em tempo real, cada quilómetro percorrido.

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Esta transição, de “Lés-a-Lés na Benecar” para “Benecar no Lés-a-Lés”, significa estar onde os motociclistas estão, partilhar o esforço das etapas, viver os Oásis, sentir a chegada e documentar a experiência a partir de dentro. Mais do que visibilidade, trata-se de pertença. Ao integrar a caravana, a Benecar assume-se como parte da comunidade que faz do Lés-a-Lés um fenómeno único no panorama europeu.
Num evento onde “não é só gastar gasolina alegremente”, mas descobrir o país e reforçar laços, a presença da Benecar em 2026 será vivida com a mesma lógica, a de proximidade, partilha e compromisso com a estrada. E se 2025 ficou marcado por um Oásis memorável na Cidade do Automóvel, 2026 promete ficar na memória como o ano em que a Benecar percorreu Portugal de Lés-a-Lés, lado a lado com milhares de motociclistas.
E caso aqui tenha chegado e ainda se pergunte “O que é o Lés-a-Lés?”:
O Lés-a-Lés é mais do que um simples passeio de mota: é uma verdadeira aventura, onde cada quilómetro conta uma história e cada paragem é um marco de partilha.
Criado em 1999, o Lés-a-Lés nasceu com o objetivo de unir Portugal de lés a lés, do ponto mais oriental ao mais ocidental, numa celebração da diversidade geográfica, cultural e humana do país. Organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal, o evento destaca-se pelo seu carácter mototurístico, pela ausência de competição e pela valorização da segurança, camaradagem e descoberta. Ao longo dos anos, o Lés-a-Lés foi crescendo, conquistando milhares de motociclistas. Hoje, é um dos maiores eventos do género na Europa, com uma estrutura organizativa exemplar.
Até já, Lés-a-Lés 2026!
Inscrições aqui: les-a-les.com (disponível brevemente)


