Criado por Daniela Ezequiel em quinta, 30 julho 2026
BMW reduz 8 mil empregos após queda das vendas na China
A BMW prepara-se para reduzir cerca de 8 mil postos de trabalho na Alemanha até ao final de 2027. O plano será concretizado através de um programa de saídas voluntárias e surge num momento em que o fabricante enfrenta uma quebra significativa das vendas na China, margens mais reduzidas e uma pressão crescente para diminuir custos.
O acordo foi negociado entre a administração da BMW e os representantes dos trabalhadores durante aproximadamente seis semanas. A reestruturação deverá incidir sobretudo nas áreas administrativas e de desenvolvimento, deixando de fora os trabalhadores diretamente ligados à produção automóvel.
Cerca de 40 mil colaboradores administrativos na Alemanha poderão começar a receber propostas de saída voluntária a partir de outubro. A expectativa é que aproximadamente 20% desses trabalhadores adiram ao programa até ao final de 2027.
Além das rescisões voluntárias, a BMW deverá aproveitar a rotatividade natural dos trabalhadores para reduzir progressivamente a sua força laboral. Os representantes sindicais garantem, no entanto, que os direitos previstos nos acordos coletivos de trabalho serão preservados.
China pressiona as vendas e os resultados da BMW
A redução de empregos acontece num contexto particularmente exigente para a indústria automóvel alemã. Durante o primeiro semestre de 2026, as vendas globais do BMW Group recuaram 4,2%, para cerca de 1,1 milhões de veículos.
A China foi o mercado que mais contribuiu para esta quebra, com uma descida de 20,4% nas vendas durante os primeiros seis meses do ano. Entre abril e junho, as entregas da marca naquele mercado terão diminuído cerca de 30% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O desempenho contrasta com os resultados registados noutras regiões. Na Europa, as vendas aumentaram 5,4%, enquanto o continente americano apresentou um crescimento próximo dos 3%.
Apesar desta evolução positiva, o crescimento europeu e norte-americano não foi suficiente para compensar a quebra no mercado chinês, onde a BMW enfrenta uma concorrência cada vez mais forte por parte dos fabricantes locais.
A desaceleração da economia chinesa também tem condicionado a procura por automóveis premium. Ao mesmo tempo, as marcas chinesas têm reforçado a sua presença no segmento dos veículos elétricos, oferecendo modelos tecnologicamente avançados a preços muito competitivos.
Perante estes resultados, a BMW reviu em baixa as suas previsões financeiras para 2026. A margem operacional esperada para o negócio automóvel passou de um intervalo entre 4% e 6% para uma estimativa entre 1% e 3%.
BMW quer reduzir custos e reforçar a competitividade
A administração da BMW pretende acelerar o programa de redução de custos para tornar as operações alemãs mais competitivas. A maior parte das saídas deverá ocorrer durante 2027, permitindo que as poupanças comecem a ter um impacto mais significativo a partir de 2028.
A aplicação do programa deverá representar um custo de várias centenas de milhões de euros durante 2026. O valor final dependerá do número de trabalhadores que decidirem aceitar as propostas de saída voluntária.
O BMW Group emprega atualmente cerca de 154 mil pessoas em todo o mundo. A redução prevista de 8 mil postos de trabalho corresponde a aproximadamente 5% da força laboral global do grupo.
A BMW não é o único fabricante europeu a avançar com medidas deste género. Volkswagen, Mercedes-Benz e Porsche também anunciaram programas de redução de custos, reorganização das operações e diminuição do número de trabalhadores.
A indústria automóvel europeia enfrenta várias transformações em simultâneo. À quebra das vendas na China juntam-se os elevados investimentos necessários para desenvolver veículos elétricos, novas tecnologias digitais e soluções de condução automatizada.
As marcas europeias também enfrentam o aumento das barreiras comerciais em diferentes mercados e a necessidade de adaptar as suas fábricas às novas exigências ambientais. Esta combinação está a obrigar os fabricantes a rever estruturas, investimentos e modelos de produção.
Segundo dados da consultora EY, as empresas industriais alemãs eliminaram cerca de 124 mil postos de trabalho em 2025, mais do dobro dos aproximadamente 56 mil empregos eliminados em 2024. O setor automóvel terá sido responsável por uma parte importante desta redução.
Enquanto procura diminuir custos na Alemanha, a BMW continua a investir noutras regiões da Europa. A fabricante inaugurou recentemente uma nova unidade de produção na Hungria, seguindo uma tendência de expansão para países onde os custos de produção são mais baixos.
A redução de 8 mil empregos representa, por isso, mais um sinal da transformação profunda que está a atravessar a indústria automóvel europeia. Para a BMW, o desafio será equilibrar a redução de custos com o investimento necessário para manter a competitividade num mercado cada vez mais tecnológico, elétrico e disputado.
Fontes: Turbo, Razão Automóvel, DW


