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Volvo Cars anuncia cortes de 2.500 empregos após os prejuízos
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Volvo Cars anuncia cortes de 2.500 empregos após os prejuízos

A Volvo Cars atravessa um dos períodos mais difíceis dos últimos anos. A fabricante automóvel sueca anunciou a eliminação de 2.500 postos de trabalho em todo o mundo, depois de ter registado prejuízos significativos no terceiro trimestre de 2026.

A decisão surge num contexto de forte concorrência no mercado chinês, tarifas comerciais nos Estados Unidos e dificuldades na transição para os veículos elétricos. Fatores que estão a pressionar as vendas, a rentabilidade e os planos de crescimento da marca.

Controlada maioritariamente pelo grupo chinês Geely, a Volvo Cars prepara agora uma nova fase de reestruturação, com o objetivo de reduzir custos e recuperar a estabilidade financeira.


Volvo Cars regista prejuízos superiores a 500 milhões de euros

Os resultados financeiros do terceiro trimestre de 2026 mostram a dimensão das dificuldades enfrentadas pela fabricante sueca.

Entre julho e setembro, a Volvo Cars registou um prejuízo líquido de aproximadamente 513 milhões de euros, contrastando com o lucro de 405 milhões de euros alcançado no mesmo período de 2025.

O volume de negócios também sofreu uma redução expressiva, fixando-se em cerca de seis mil milhões de euros, o que representa uma quebra de aproximadamente 23% em termos homólogos.

Já nos primeiros nove meses de 2026, a empresa acumulou prejuízos líquidos de 414 milhões de euros, enquanto as vendas mundiais recuaram 10%, para cerca de 460 mil automóveis.

A reação dos mercados financeiros foi imediata. Após a divulgação dos resultados, as ações da Volvo Cars caíram perto de 30% na Bolsa de Estocolmo, atingindo mínimos históricos.

Håkan Samuelsson, presidente executivo da Volvo Cars, reconheceu que os resultados ficaram muito aquém das expectativas e que a empresa precisa de reforçar as medidas de recuperação já em curso.


Cortes de 2.500 empregos para reduzir custos

Perante este cenário, a Volvo Cars anunciou um novo programa de redução de despesas, que deverá permitir uma poupança adicional de aproximadamente 450 milhões de euros.

A medida terá consequências diretas na estrutura da empresa, com a eliminação de 2.500 postos de trabalho, o equivalente a cerca de 6% da força laboral global.

A maioria dos cortes será realizada na Suécia, onde deverão desaparecer aproximadamente 2.000 postos de trabalho. Os restantes 500 serão distribuídos por outros mercados internacionais.

Segundo a fabricante, a redução será concretizada através de diferentes mecanismos, incluindo a cessação de contratos com consultores externos, programas de saída e a não substituição de trabalhadores que abandonem naturalmente a empresa.

Estes cortes juntam-se aos 3.000 postos de trabalho cuja eliminação já tinha sido anunciada anteriormente, elevando para 5.500 o número total de empregos abrangidos pelas duas fases de reestruturação.

A Volvo Cars espera concluir grande parte das medidas até meados de 2027, prevendo que os benefícios financeiros sejam plenamente sentidos até ao final desse ano.


Concorrência chinesa e tarifas americanas pressionam a Volvo

Uma das principais razões para os resultados negativos da Volvo Cars está relacionada com a evolução do mercado chinês.

Apesar de pertencer maioritariamente ao grupo Geely, a fabricante sueca enfrenta uma concorrência cada vez mais intensa por parte das marcas chinesas, especialmente no segmento dos automóveis elétricos e premium.

No terceiro trimestre de 2026, as receitas da Volvo Cars na China caíram quase 50%, refletindo as dificuldades em acompanhar os preços e a oferta dos fabricantes locais.

Em vez de entrar numa guerra de preços, a empresa pretende privilegiar a rentabilidade, mesmo que isso implique perder alguma quota de mercado.

Nos Estados Unidos, o cenário também é desafiante. As tarifas comerciais sobre os automóveis importados e a eliminação de incentivos à compra de veículos elétricos e híbridos plug-in têm prejudicado a competitividade da marca.

Para reduzir este impacto, a Volvo Cars pretende aumentar a produção local e a utilização de componentes fabricados nos Estados Unidos, diminuindo a dependência das importações.

Esta estratégia reflete uma tendência crescente na indústria automóvel, com os fabricantes a adaptarem a produção às condições económicas e comerciais de cada região.


Volvo EX60 será importante para a recuperação da marca

A eletrificação continua a ser uma das principais apostas da Volvo Cars, mas a transição está a revelar-se mais complexa do que inicialmente previsto.

Em 2024, a fabricante abandonou o objetivo de comercializar exclusivamente automóveis totalmente elétricos até 2030, reconhecendo a necessidade de adaptar a estratégia à evolução da procura.

Um dos modelos mais importantes para esta nova fase é o Volvo EX60, um SUV elétrico de dimensão média que pretende assumir um papel semelhante ao do XC60, um dos modelos de maior sucesso da marca.

No entanto, o lançamento industrial do EX60 está a enfrentar dificuldades relacionadas com a montagem das baterias.

Segundo as informações divulgadas, tinham sido produzidas apenas cerca de 5.000 unidades, quando o objetivo estabelecido para 2026 era atingir 40.000 veículos.

Estes atrasos são particularmente preocupantes porque o EX60 é considerado estratégico para reforçar a competitividade da Volvo no mercado dos automóveis elétricos.

Apesar das dificuldades, a fabricante mantém os planos de renovar a sua gama, prevendo lançar 13 novos modelos até ao final da década. Destes, seis serão desenvolvidos especificamente para responder às necessidades do mercado chinês.


O que esperar do futuro da Volvo Cars?

A recuperação da Volvo Cars dependerá da capacidade de equilibrar três prioridades: reduzir custos, melhorar a rentabilidade e acelerar o lançamento de novos modelos.

A empresa prepara também uma mudança na liderança. Klaus Zellmer, responsável pela Škoda Auto, deverá substituir Håkan Samuelsson na presidência executiva até outubro de 2027.

O novo responsável encontrará uma fabricante com desafios importantes, desde a forte concorrência internacional até à necessidade de tornar a produção mais eficiente.

Apesar dos resultados negativos, a Volvo Cars mantém a aposta na eletrificação e no desenvolvimento de automóveis adaptados às exigências dos diferentes mercados.

Os próximos meses serão, por isso, determinantes para perceber se as medidas anunciadas serão suficientes para inverter a tendência negativa.

O caso da Volvo Cars demonstra como até os fabricantes automóveis mais reconhecidos enfrentam dificuldades num setor em profunda transformação, onde a inovação tecnológica, os custos de produção e a competitividade internacional são cada vez mais decisivos.



Fontes: Euronews, RTP Notícias, SAPO, Turbo

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